Câncer de mama: informação, identificação precoce e a importância do cuidado em todas as fases da vida

19/10/2026

Notícia

No Dia de Conscientização sobre o Câncer de Mama, a promoção da informação qualificada, o acompanhamento pré-natal integrado e a atualização contínua das redes de atendimento reforçam a importância do cuidado com a saúde da mulher.

Durante a gestação, o corpo passa por transformações profundas para se preparar para o desenvolvimento do bebé e para a amamentação. Entre as mudanças mais perceptíveis estão as alterações nas mamas, como o aumento de volume e uma maior sensibilidade ao toque, decorrentes das oscilações hormonais do período. No entanto, saber distinguir os sinais esperados daqueles que exigem investigação profissional é uma dimensão essencial do cuidado materno e da saúde da mulher em todas as fases.

 

Quando uma alteração precisa de avaliação médica?

Embora a maioria das transformações na mama durante a gravidez faça parte do processo fisiológico, a presença de determinados sinais requer avaliação clínica atenta. Devem ser observados com especial cuidado:

  •       Nódulos novos ou persistentes;
  •       Alterações na textura ou no aspeto da pele da mama;
  •       Retração ou mudanças na estrutura do mamilo;
  •       Saída espontânea de secreção com sangue pelo mamilo.

A identificação destes sinais não significa necessariamente um diagnóstico de cancro de mama, mas aponta para a necessidade de investigação para esclarecer a causa. O acompanhamento pré-natal é o espaço ideal para dialogar sobre estas percepções: ao notar qualquer alteração diferente do habitual, a gestante não precisa esperar pela próxima consulta de rotina, devendo procurar a sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para avaliação.

 

Planeamento e diagnóstico precoce

O planejamento da atenção ao câncer de mama depende de informações atualizadas sobre a população, a oferta de serviços e a capacidade da rede. Nesse sentido, segundo informações da Área Técnica de Saúde da Mulher da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) atualizou suas ferramentas de apoio à gestão, incorporando as estimativas de câncer para o triênio 2026–2028.

Em 2025, o Ministério da Saúde também atualizou a recomendação para o rastreamento mamográfico populacional no SUS. A faixa etária prioritária passou de 50 a 69 anos para 50 a 74 anos, com realização do exame a cada dois anos. A mudança foi estabelecida pela Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS e está baseada nas evidências disponíveis sobre a redução da mortalidade por câncer de mama. Serviços e Informações do Brasil.

A ampliação da faixa etária traz novas necessidades para o planejamento da rede. No estado de São Paulo, levantamento da Área Técnica de Saúde da Mulher, realizado em setembro de 2026, aponta que o SUS paulista conta atualmente com 642 mamógrafos em uso, distribuídos pelas 17 Regiões de Saúde, com produção anual estimada em 3,25 milhões de exames.

 

SERVIÇO: Como realizar a mamografia gratuitamente no SUS em SP

Como estratégia para ampliar o acesso e promover o diagnóstico precoce, o Estado de São Paulo disponibiliza o programa Mulheres de Peito, que leva as Carretas da Mamografia a diversas regiões. As unidades móveis oferecem o exame de forma gratuita e descentralizada.

 

Como funciona o atendimento:

Público-alvo: Mulheres a partir dos 35 anos que não tenham realizado mamografia nos últimos 12 meses.

Sem agendamento: O atendimento é feito por ordem de chegada, mediante a distribuição diária de senhas:

o   Segunda a sexta-feira: das 8h às 17h (até 50 senhas/dia).

o   Sábados: das 8h às 12h (até 25 senhas/dia).

o   (Unidades fechadas em feriados).

Critérios para pedido médico:

Mulheres dos 50 aos 74 anos: Não necessitam de pedido médico para realizar o exame nas unidades móveis.

Mulheres dos 35 aos 49 anos e acima dos 74 anos: Devem apresentar pedido médico emitido pelo SUS.

Onde encontrar a unidade mais próxima:

Os locais de atendimento das carretas são itinerantes e alternam periodicamente entre os municípios paulistas. O cronograma atualizado e os endereços de cada quinzena podem ser consultados diretamente na plataforma ou aplicação do Poupatempo (SP.GOV.BR).

 

 

A atuação do OOBr e do ReMaP no fortalecimento da rede

Garantir que as informações de saúde cheguem a quem precisa, seja orientando sobre alterações corporais na gravidez, seja divulgando serviços públicos como as Carretas da Mamografia, é um passo indispensável para salvar vidas e reduzir diagnósticos tardios. Para que serviços como esses funcionem de forma eficiente, a produção e a análise de dados epidemiológicos desempenham um papel central.

É nesse cenário que atua o Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr), monitorando indicadores e gerando evidências científicas sobre a saúde de gestantes e puérperas em todo o país. Alinhada a esse compromisso, a Rede de Atenção Materna e Perinatal (ReMaP) conecta esse conhecimento científico às redes de gestão pública no Estado de São Paulo.

A partir do monitoramento contínuo e do uso de dados estratégicos, como os apresentados nas novas estimativas do INCA, o ReMaP apoia a organização dos serviços de saúde para garantir que gestantes e a população em geral recebam acolhimento, diagnóstico oportuno e cuidado integral em cada etapa do atendimento.

 

Principais referências

Ministério da Saúde: Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS

Instituto Nacional de Câncer (INCA): Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil; Parâmetros Técnicos para Detecção Precoce do Câncer de Mama

Organização Mundial da Saúde (OMS) / Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC)

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS): Código Latino-Americano e Caribenho Contra o Câncer

American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG)

National Health Service (NHS)

Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo: Área Técnica de Saúde da Mulher / Programa Mulheres de Peito e Carretas da Mamografia

Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr) / Rede de Atenção Materna e Perinatal (ReMaP)