Artigo Científico
22/05/2026
Notícia
O Ministério da Saúde lançou, em 12 de maio de 2026, a primeira versão digital da Caderneta Brasileira da Gestante, agora integrada ao aplicativo Meu SUS Digital. A iniciativa marca um novo passo na digitalização do Sistema Único de Saúde (SUS) e amplia o acesso das gestantes a informações oficiais sobre gravidez, parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido.
Tradicionalmente utilizada nas consultas de pré-natal do SUS, a Caderneta da Gestante funciona como instrumento de registro clínico e orientação em saúde durante toda a gravidez. Agora, o documento passa a contar também com uma versão digital, permitindo que as gestantes acompanhem consultas, registros clínicos, exames e orientações de saúde diretamente pelo celular.
A expectativa do governo federal é que a digitalização fortaleça o monitoramento do pré-natal, facilite a continuidade do cuidado entre os serviços de saúde e contribua para ampliar a adesão ao acompanhamento gestacional.
O lançamento ocorre em um contexto em que especialistas e gestores da saúde pública apontam o pré-natal como uma das principais estratégias para prevenção de complicações maternas, fetais e neonatais. O acompanhamento adequado durante a gestação é considerado fundamental para identificar precocemente fatores de risco, monitorar condições clínicas e garantir intervenções oportunas ao longo da gravidez.
O pré-natal é o acompanhamento realizado durante toda a gestação com o objetivo de monitorar a saúde da gestante e do bebê. No SUS, esse cuidado inclui consultas periódicas, exames laboratoriais e de imagem, vacinação, orientações nutricionais, acompanhamento do desenvolvimento fetal e identificação precoce de possíveis complicações.
Os dados do painel ReMaP no Estado de São Paulo mostram que a realização adequada das consultas de pré-natal vem apresentando melhora ao longo da última década. Em 2015, dos 634.017 nascimentos registrados no estado, 487.082 ocorreram entre gestantes que realizaram sete consultas ou mais de pré-natal, número que representava cerca de 76,8% dos casos.
Em 2015, dos 634.017 nascimentos registrados no estado, 487.082 ocorreram entre gestantes que realizaram sete consultas ou mais de pré-natal, número que representava cerca de 76,8% dos casos.
Já em 2025, o número total de nascimentos foi menor, com 314.668 registros, mas 263.149 gestantes realizaram sete consultas ou mais, o equivalente a aproximadamente 83,6% dos nascimentos do período. O dado indica avanço na cobertura do acompanhamento gestacional considerado adequado pelos parâmetros do Ministério da Saúde.
Ao mesmo tempo, os indicadores também revelam desafios persistentes. Em 2025, 48.404 gestantes realizaram entre uma e seis consultas de pré-natal, enquanto 2.439 não realizaram nenhuma consulta durante a gestação.
A análise histórica dos dados mostra ainda uma redução gradual do número de gestantes sem nenhuma consulta de pré-natal no estado. Em 2015, esse grupo representava 7.989 casos. Em 2025, o número caiu para 2.439, indicando avanço no acesso aos serviços de atenção primária e no acompanhamento gestacional.
Os indicadores relacionados ao pré-natal são considerados fundamentais para o planejamento das políticas públicas de saúde materna e infantil, sobretudo diante dos desafios persistentes relacionados à mortalidade materna, fetal e neonatal no Brasil.
O Ministério da Saúde recomenda o início do pré-natal ainda no primeiro trimestre da gestação, com acompanhamento contínuo ao longo de toda a gravidez. A realização adequada das consultas permite monitorar condições como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, infecções e alterações no desenvolvimento fetal, além de ampliar o acesso das gestantes a informações sobre parto, amamentação e cuidados pós-parto.
A digitalização da Caderneta Brasileira da Gestante também surge como resposta ao aumento da circulação de informações falsas sobre gravidez, parto e cuidados neonatais nas redes sociais e plataformas digitais.
Ao centralizar conteúdos oficiais do SUS em uma plataforma pública e acessível, o Ministério da Saúde busca ampliar o acesso a informações confiáveis, atualizadas e baseadas em evidências científicas. O miniapp permite navegação por capítulos, divisão temática dos conteúdos e ferramenta de busca para localização rápida de informações.
Entre os temas disponíveis na nova versão digital estão:
A proposta é que a caderneta funcione não apenas como um instrumento de registro clínico, mas também como ferramenta educativa e de fortalecimento da autonomia das gestantes durante toda a gravidez.
A atualização da Caderneta Brasileira da Gestante também amplia a abordagem sobre humanização da assistência obstétrica e direitos reprodutivos. Pela primeira vez, o documento inclui conteúdos específicos sobre saúde mental materna, luto materno e parental, violência obstétrica, equidade racial e enfrentamento das desigualdades no atendimento em saúde.
A nova edição também disponibiliza espaços para registro de informações relacionadas à presença de acompanhante, métodos de alívio da dor, posições para o parto e expectativas sobre cesariana, fortalecendo a participação da gestante nas decisões sobre o próprio cuidado.
Segundo o Ministério da Saúde, a reformulação está alinhada aos princípios da Rede Alyne, estratégia nacional voltada à redução da mortalidade materna e à promoção de uma assistência mais integrada, humanizada e equitativa no SUS.
A chegada da caderneta ao ambiente digital acompanha um movimento mais amplo de transformação tecnológica no SUS, com expansão de plataformas digitais voltadas ao acompanhamento em saúde e à integração de dados assistenciais.
A expectativa é que a ferramenta facilite o compartilhamento de informações entre os diferentes níveis de atenção, fortaleça o vínculo das gestantes com a Atenção Primária à Saúde e amplie o acompanhamento contínuo da gravidez.
Para especialistas em saúde pública, iniciativas que ampliam o acesso à informação qualificada e fortalecem o acompanhamento gestacional podem contribuir para melhores desfechos maternos e infantis, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais e barreiras de acesso aos serviços de saúde.
Fontes:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ministério da Saúde lança a primeira versão digital da Caderneta Brasileira da Gestante. Biblioteca Virtual em Saúde – BVSMS, 2026. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/ministerio-da-saude-lanca-a-primeira-versao-digital-da-caderneta-brasileira-da-gestante/. Acesso em: 12 maio 2026.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ministério da Saúde lança a primeira versão digital da Caderneta Brasileira da Gestante. Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/ministerio-da-saude-lanca-a-primeira-versao-digital-da-caderneta-brasileira-da-gestante. Acesso em: 12 maio 2026.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderneta Brasileira da Gestante (PDF). Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/publicacoes/cadernetas-e-cartoes/caderneta-brasileira-da-gestante.pdf. Acesso em: 15 maio 2026.
ReMaP – Reestruturação e Redesenho da Rede de Atenção Materna e Perinatal. Painel de indicadores de nascimentos e pré-natal no Estado de São Paulo. São Paulo: ReMaP, 2015–2025. Disponível em: https://observatorioobstetrico.shinyapps.io/remap/. Acesso em: 18 maio 2026.