Notícia
Reestruturação e Redesenho da Rede de Atenção Materna e Perinatal no Estado de São Paulo
Projeto Estratégico para Redução da Mortalidade Materna, Fetal e Neonatal
18/08/2026
Notícia
A infecção puerperal está entre as principais causas de morbidade e mortalidade materna evitáveis. Embora, na maioria dos casos, possa ser prevenida e tratada quando identificada precocemente, o atraso no diagnóstico e no início do tratamento pode levar à sepse materna, uma complicação grave que exige atendimento imediato.
Casos recentes de mulheres que desenvolveram infecções graves após o parto chamaram a atenção para a importância do cuidado durante o puerpério. Além da assistência qualificada no parto, é fundamental garantir acompanhamento após o nascimento do bebê, orientar as mulheres sobre os sinais de alerta e assegurar acesso rápido aos serviços de saúde quando surgirem sintomas sugestivos de infecção.
Nesse contexto, os painéis do projeto ReMaP (Reestruturação e Redesenho da Rede de Atenção Materna e Perinatal) contribuem para compreender o comportamento da mortalidade materna no Estado de São Paulo e apoiar a formulação de políticas públicas voltadas à qualificação da assistência obstétrica.
O que é infecção puerperal?
A infecção puerperal, também denominada febre puerperal, é um termo genérico que representa qualquer infecção bacteriana do trato genital feminino no pós-parto. Não incluem, por exemplo, as infecções que acometem o trato urinário ou as mamas.
Essas infecções podem ocorrer após o parto e exigem reconhecimento e tratamento adequados para evitar complicações.
Quando reconhecida precocemente, a infecção puerperal costuma responder bem ao tratamento. No entanto, a demora no diagnóstico pode permitir que a infecção se espalhe pelo organismo, evoluindo para sepse materna, uma das principais causas de morte materna evitável.
Quais são as principais infecções relacionadas ao período pós-parto?
Além da infecção puerperal propriamente dita, outras infecções estão associadas ao período pós-parto, entre as quais se destacam:
Quando uma infecção pode se tornar grave?
A principal preocupação é que uma infecção não reconhecida ou não tratada adequadamente possa evoluir para sepse materna.
O que é a sepse materna?
A sepse materna é uma complicação grave que pode surgir quando uma infecção não é identificada ou tratada a tempo. Nessa situação, o organismo reage de forma desregulada, comprometendo o funcionamento de órgãos importantes.
O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno aumentam as chances de recuperação. Por isso, reconhecer os sinais de alerta é fundamental para evitar complicações.
Quais são os sinais de alerta para infecções após o parto?
Febre persistente, dor abdominal ou pélvica intensa, secreção vaginal com odor desagradável, dor ou saída de secreção na cicatriz da cesariana e redução do útero mais lenta que o esperado nos primeiros dias após o parto são alguns dos sinais que indicam a necessidade de avaliação médica.
Quando a mulher apresenta dificuldade para respirar, confusão, sonolência excessiva, queda da pressão arterial, diminuição da quantidade de urina ou rápida piora do estado geral, o atendimento deve ser imediato, pois esses sintomas podem indicar sepse materna.
Quem apresenta maior risco?
Algumas condições podem aumentar a probabilidade de desenvolver infecções no puerpério, entre elas:
Identificar esses fatores durante o pré-natal e o parto e manter acompanhamento adequado no puerpério contribuem para reduzir complicações e melhorar a segurança da assistência.
A prevenção depende de uma assistência qualificada
Grande parte das infecções relacionadas ao puerpério pode ser evitada.
O pré-natal possibilita identificar e tratar condições que aumentam o risco de infecção. Durante o parto, a adoção de boas práticas assistenciais, medidas de prevenção e controle de infecções e o uso criterioso de procedimentos invasivos reduzem a ocorrência de complicações.
No puerpério, orientações sobre higiene, cuidados com a cicatriz da cesariana ou das lacerações, amamentação e reconhecimento dos sinais de alerta ajudam a promover uma recuperação segura e a reduzir o risco de agravamento dos casos.
Qual foi a participação da infecção puerperal nas mortes maternas no Estado de São Paulo?
Os painéis do ReMaP permitem acompanhar a evolução da mortalidade materna e monitorar a participação das infecções entre as causas obstétricas diretas no Estado de São Paulo.

Fonte: Painel ReMaP (2026).
Entre 2019 e 2024, a infecção puerperal representou entre 5,7% e 8,0% das mortes maternas por causas obstétricas diretas no Estado de São Paulo.
Os percentuais registrados foram de 5,7% em 2019, 7,1% em 2020, 7,0% em 2021, 8,0% em 2022, 5,7% em 2023 e 6,3% em 2024.

Fonte: Painel ReMaP (2026).
Os resultados mostram que as infecções puerperais permaneceram presentes entre as causas obstétricas diretas de morte materna ao longo do período analisado, reforçando a importância da vigilância contínua, da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno.
Cuidado que vem antes do parto
Os dados do painel de Pré-natal mostram que a cobertura do acompanhamento gestacional no Estado de São Paulo apresentou melhora entre 2019 e 2024. A proporção de gestantes que realizaram sete ou mais consultas passou de 80,46% para 83,91%, enquanto o percentual de mulheres com uma a seis consultas diminuiu de 18,69% para 15,31%.

Tabela de consultas de pré-natal. Fonte: Painel ReMaP (2026).
Apesar desse avanço, uma parcela das gestantes ainda não alcançou o número recomendado de consultas, evidenciando a necessidade de ampliar o acesso e garantir a continuidade da assistência pré-natal. Esse acompanhamento é fundamental para identificar fatores de risco, orientar sobre sinais de alerta e fortalecer a continuidade do cuidado no puerpério, contribuindo para a prevenção e o reconhecimento oportuno de complicações relacionadas ao ciclo gravídico-puerperal.
Reduzir a mortalidade materna depende de uma rede de atenção organizada, integrada e baseada em evidências. Nesse processo, o acompanhamento sistemático dos indicadores de saúde permite identificar avanços e desafios na assistência e contribui para aprimorar o cuidado oferecido às gestantes e puérperas, fortalecendo estratégias de prevenção de mortes potencialmente evitáveis.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 220/2024-DGCI/SAPS/MS e DAHU/SAES/MS: orientações para prevenção, identificação e manejo da sepse materna na Rede Alyne. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024.
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MONTENEGRO, Carlos Antônio Barbosa; REZENDE FILHO, Jorge de. Rezende obstetrícia fundamental. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.
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SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Saúde. Comissão Intergestores Bipartite. Nota técnica: caixas de emergências obstétricas. São Paulo: Secretaria de Estado da Saúde, 2025.
ZUGAIB, Marcelo et al. Zugaib obstetrícia. 4. ed. Barueri: Manole, 2023.