Notícia
28/05/2026
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Dia 28 de maio é o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, instituído no Brasil em consonância com o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, reforçando a urgência de ampliar o acesso ao cuidado obstétrico qualificado, fortalecer políticas públicas e enfrentar os índices ainda elevados de mortes evitáveis durante a gestação, o parto e o puerpério.
A mortalidade materna é considerada um dos principais indicadores da qualidade da assistência à saúde oferecida às mulheres. Segundo definição do Ministério da Saúde, trata-se do óbito ocorrido durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez, causado por fatores relacionados ou agravados pela gestação, parto ou puerpério.
Dados do ReMaP mostram que a Razão de Mortalidade Materna (RMM), indicador que mede o número de mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos, apresentou crescimento expressivo durante a pandemia de Covid-19 no Estado de São Paulo. A taxa passou de 48,5 mortes por 100 mil nascidos vivos em 2019 para 87 em 2021, no auge da emergência sanitária.
Nos anos seguintes, os indicadores voltaram ao patamar anterior. Em 2024, a RMM paulista ficou em 42,7 mortes por 100 mil nascidos vivos, número inferior ao registrado no período pandêmico, mas ainda considerado elevado por especialistas em saúde pública.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 260 mil mulheres morreram em 2023 em decorrência de complicações relacionadas à gravidez e ao parto em todo o mundo. A maior parte dessas mortes poderia ser evitada com acesso oportuno a serviços de saúde qualificados.
Entre as principais causas de mortalidade materna estão hemorragias obstétricas, síndromes hipertensivas da gestação, infecções puerperais e complicações de abortamento.
Em São Paulo, os dados do ReMaP indicam que as síndromes hipertensivas permaneceram entre as principais causas obstétricas diretas de morte materna em 2024, representando 26,8% dos óbitos. Em seguida aparecem as hemorragias obstétricas (22%) e as infecções puerperais (6,3%).
O monitoramento realizado pelo ReMaP também aponta avanço gradual na cobertura da assistência pré-natal no Estado de São Paulo.
Entre 2018 e 2024, aumentou o percentual de gestantes que realizaram sete ou mais consultas de pré-natal, indicador considerado essencial para acompanhamento seguro da gestação e identificação precoce de riscos maternos e fetais.
No período pós-pandemia, cerca de 83,4% das gestantes paulistas realizaram sete ou mais consultas, percentual superior ao observado antes da pandemia, quando o índice era de aproximadamente 80%.
O número de consultas não é o único fator determinante para redução da mortalidade materna. O início precoce do cuidado, a qualidade do acompanhamento, a realização de exames, o acesso rápido a serviços especializados e a continuidade do cuidado também são fundamentais para evitar agravamentos e mortes evitáveis.
A Atenção Primária à Saúde (APS), considerada a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), desempenha papel central nesse processo ao facilitar o acolhimento precoce das gestantes, o monitoramento clínico e o encaminhamento adequado em situações de risco.
A análise dos óbitos maternos no Estado de São Paulo entre 2018 e 2024 evidencia um aumento expressivo das mortes durante o período da pandemia de Covid-19, com destaque para o ano de 2021. Nesse ano, observou-se o maior volume da série histórica.
As mulheres brancas concentram o maior número absoluto de óbitos registrados ao longo do período, com 254 ocorrências em 2021, seguidas pelas mulheres pardas com 140 óbitos e mulheres pretas, com 55 óbitos.
Fatores socioeconômicos, barreiras territoriais, desigualdades raciais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde podem influenciar diretamente os riscos relacionados à gestação e ao parto.
Segundo a OMS, mulheres em situação de vulnerabilidade social e residentes em regiões com menor oferta de serviços especializados apresentam maior probabilidade de desenvolver complicações graves e morrer por causas evitáveis relacionadas à gravidez.
O enfrentamento da mortalidade materna depende do fortalecimento das redes de atenção materna e neonatal, da qualificação da assistência obstétrica e do uso estratégico de dados em saúde.
Nesse contexto, iniciativas como o ReMaP permitem monitorar continuamente indicadores relacionados ao pré-natal, parto, puerpério e mortalidade materna em diferentes regiões do Estado de São Paulo.
O acompanhamento desses dados auxilia gestores públicos e equipes de saúde na identificação de áreas prioritárias, no planejamento de ações e na implementação de estratégias voltadas à prevenção de mortes evitáveis.
O Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna reforça que a maioria dessas mortes pode ser evitada com acesso oportuno à assistência qualificada, fortalecimento do SUS e redução das desigualdades sociais que impactam diretamente a saúde das mulheres brasileiras.
Fontes:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. Biblioteca Virtual em Saúde – BVSMS. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/28-5-dia-nacional-de-reducao-da-mortalidade-materna/. Acesso em: 26 maio 2026.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS). Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps. Acesso em: 26 maio 2026.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Maternal mortality – Fact sheet. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/maternal-mortality. Acesso em: 27 maio 2026.
ReMaP – Reestruturação e Redesenho da Rede de Atenção Materna e Perinatal. Painel de indicadores de mortalidade materna no Estado de São Paulo. São Paulo: Observatório Obstétrico Brasileiro. Disponível em: https://observatorioobstetrico.shinyapps.io/remap/. Acesso em: 27 e 28 maio 2026.